quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Analfa


Bertolt Brecht: O Analfabeto Político O pior analfabeto ...

O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Bertolt Brecht

A Indústria da Seca no Nordeste

O ex-governador Ciro Gomes foi muito feliz quando declarou que “as águas do rio São Francisco continuam adoçando o mar”. Analisando friamente o que disse Ciro, é a mais pura verdade dita por um político, considerada como “linguarudo” ou de “pavio curto”. Ciro Gomes classificou como imbecis e cruéis àqueles que se opõe a transposição das águas do São Francisco, que, se estivesse prontas, milhares de pessoas não estariam sofrendo as mazelas da seca. Seca essa, que, ao longo de décadas, sempre foi e continuará sendo cabide de emprego para muitos e moeda de barganha para políticos corruptos e malvados que exploram seu povo.

Pesquisando sobre o que foi escrito até agora sobre seca, encontramos muita coisa e soubemos que, desde a descoberta do Brasil, o fato nunca foi novidade. Quem viu o Jornal Nacional na noite de, onde o repórter Pedro Bassan fez uma excelente reportagem, com certeza ficou estarrecido com o que ele mostrou. Dentro do quadro JN no ar, Juazeiro do Norte foi a base para Bassan percorrer mais de 500 quilômetros, indo ao Piauí, Pernambuco e Sul do Ceará para mostrar a dura realidade ora existente.

A estiagem que ora enfrentamos no Nordeste este ano só acontece de 30 em 30 anos. A história está ai para comprovar. Foi assim em anos anteriores e as mais famosas datam de 1983/84, 1935 e 1887. Para os nordestinos que já se acostumaram desde o nascimento, a seca não é nenhuma novidade. O sofrimento de quem vive nas regiões atingidas pela seca é comum e fácil de solução.  Ao invés de se falar em políticas de combate à seca, bem que deveria sair do papel os projetos de convivência com o clima do semiárido, o que é apontado como a solução para o drama sertanejo.

A seca no Nordeste é um fenômeno bastante conhecido. O estado brasileiro reconhece isso desde o início do século 20, quando criou o Instituto Federal de Obras Contra a Seca, que é percursor do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas). O problema é que esses órgãos foram aparelhados pelas oligarquias. O discurso da seca rendeu muitos privilégios para poucos, fazendo açudes em propriedades particulares, com favorecimento de carro-pipa. Ou seja, uma longa incompetência em atenuar os problemas do fenômeno.

A verdade é uma só: ninguém quer perder a “indústria da seca”. Essa desgraça da natureza abate-se por século na região nordestina, e nenhum governo tomou coragem de enfrentar esse problema de frente. Nenhum. Cria-se sim, muitos organismos que dão emprego a incompetentes e protegidos, muita verba que é desviada e benefícios para os que menos precisam de ajuda. Ao povo nordestino, sobra a sorte do destino, e as rezas ao Padre Cícero. Só. Quando uma nação vê, sente e acompanha o drama de um povo como o bravo nordestino, e volta suas atenções aos preparativos de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada, com custos de bilhões, e nem 10% é investido no Nordeste, é realmente um gesto desumano. O sertanejo chora quando vê seu gado morrer. Chora, mas não derrama nenhuma lágrima, pois nem água tem para verter uma lágrima. 

Mas isso não sensibiliza os políticos. Para eles interessa sim, adquirir caminhões pipa para poderem vender o precioso líquido aos flagelados, e deles obterem lucro. Água tem no nordeste. E muita. Está toda no subsolo e o governo sabe disso. Mas ninguém quer extraí-la, pois iria de encontro com a política do bem-estar popular. Povo com fome e sede, é povo submisso. No Piauí, Ceará, Rio G. do Norte, Paraíba e Pernambuco, existe um lençol freático, que talvez seja um dos maiores do mundo. A própria Petrobrás sabe disso, quando iniciou suas perfurações em solo nordestino. E por que não fazer poços em pequenas propriedades? Essa obra do desvio do rio São Francisco, é na realidade uma indústria de corrupção com preços alterados e a obra em passo de tartaruga manca. Na fila, estão milhões de brasileiros esperando para saciarem a sede... que ainda irá demorar muitos anos, se sobreviverem. 

Roberto Bulhões/Raphael de Melo